Delegado Alessandro (MDB) quer o voto da direita sergipana no Senado. Mas três episódios recentes de sua trajetória política levantam a pergunta: de que lado ele realmente está?
1 — Entre Bolsonaro e Lula, escolheu Lula
Nenhuma dessas posições diz tanto quanto essa. Em 2018, Alessandro votou em Jair Bolsonaro, então filiado ao PSL, justificando a escolha como uma forma de "romper o ciclo do PT". Depois, passou a dizer que se arrependia profundamente daquele voto. Segundo ele, dois meses após a posse de Bolsonaro.
Quando chegou a 2022 e o Brasil precisou escolher de novo entre Bolsonaro e Lula, Alessandro anunciou publicamente seu voto em Lula, citando "respeito democrático" e o que classificou como desmonte de instituições no governo anterior.
2 — O fim da escala 6x1
Alessandro chamou o fim da escala 6x1 de "mudança fundamental" e fez questão de elogiar dois nomes de peso da esquerda: "Parabéns para o senador Paulo Paim pela bandeira histórica e para a deputada Erika Hilton pela capacidade de mobilizar essa pauta tão importante", disse.
Quando a proposta avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, apenas quatro senadores registraram voto contrário: Rogério Marinho (PL), Hamilton Mourão (Republicanos) e Tereza Cristina (PP), entre outros. Alessandro não esteve entre eles.
3 — O PL das Fake News
Alessandro é autor do PL 2630/2020, conhecido como PL das Fake News: um dos projetos mais polêmicos e debatidos dos últimos anos sobre liberdade de expressão e controle das redes sociais no Brasil.
Enquanto parte da direita alertava publicamente para os riscos de censura embutidos no projeto, Alessandro estava do outro lado do debate, defendendo publicamente a proposta que ele mesmo apresentou ao Congresso.
O homem em cima do muro
Três pautas centrais do debate político brasileiro. Nas três, Delegado Alessandro apareceu do lado que boa parte da direita sergipana não esperava. Ele quer o voto desse eleitorado em outubro, mas, à luz desse histórico, a pergunta que fica é: de que lado ele está?
🔍 As três posições discutidas no roteiro são: voto em Lula em 2022, apoio ao fim da escala 6x1 e autoria do PL 2630/2020.